Segunda-feira, Janeiro 12, 2009
Despedida...
Mudei-me. Arrumei minhas tralhas, meus pensamentos e sentimentos. Juntei tudo e, com dor no coração, me despeço do meu amado Lemon Drops.
Mas foi preciso. Eu precisava, entendam.
Estarei, a partir de agora, aqui:
http://pensamentotraduzido.blogspot.com/
Love,
Cah.
Quarta-feira, Dezembro 31, 2008
Pensamento Traduzido nº 77
Enfim, adeus 2008.
Um ano que, eu sinto, começou tarde. Durou uns 3 meses. Os melhores 3 meses da minha vida.
Senti uma felicidade invadir meu coração, cada dia mais. Cada dia, cada final de semana, cada pessoa que entrou em minha vida, cada amizade que eu reconsquistei.
Tenho apenas de agradecer, desde as coisas boas até as ruins.
Aprendi muito. Amadureci. Fiz coisas que achei que nunca ia fazer, passei por coisas que jamais achei que passaria.
Ri, chorei. Senti a mais pura felicidade e a mais amarga tristeza. Tive decepções, que foram apagadas pelas alegrias que chegaram, sempre, na hora certa.
Tenho que agradecer meus amigos, minha familia. Por sempre estarem ao meu lado e me ajudarem sempre que eu precisei.
Tenho que agradecer a todas as pessoas que entraram em minha vida e ficaram. As pessoas que entraram e, por alguma razão, se foram.
Sei que 2009 vai ser um ano de revoluções para mim. E sei que terei a todos ao meu lado.
Acho que será um ano bom, para todos.
Um ótimo ano novo para todos! Que esse ano comece maravilhosamente bem, como esse terminou,
Farei um brinde a todo o ano. Todos os momentos que passaram por mim e, rapidamente, se foram.
Aos meus 19 anos, aos meus amigos, às minhas faculdades, às minhas alegrias, até às minhas tristezas que, sem elas, eu não teria aprendido tanto.
Um ótimo 2009 para todos, todos mesmo.
Uma ótima noite de virada de ano. É minha festa favorita e esse ano vai ser demais.
Onrigada a todos que acompanharam o blog em 2008. Obrigada pela companhia e pela compreensão de todos os meus sentimentos depositados aqui.
Um beijo enorme!
E que venha 2009!!!
Love,
Cah.
Quinta-feira, Dezembro 11, 2008
Pensamento Traduzido nº 76
Estava sentada no banco, de frente para a lagoa, quando recebi a notícia. Pai. Infarto. UTI.
Senti meu chão desaparecer. Minha vista ficou escura e minha pressão baixou. Fiquei tonta. Ele está longe. Tão longe.
Não tinha como ligar para alguém do meu celular. Corri, chorando, atrás de um orelhão.
Minha mãe não atendeu o celular. Meu padrasto, também não. Minha amiga me salvou.
Não, ela não entendeu nada do que eu falava, entre soluços e desespero. “Liga pra minha mãe.” Isso, ela entendeu.
E ligou. Minha mãe me ligou depois, também não deve ter entendido muita coisa. Não consigo falar quando fico nervosa. Gaguejo, troco as palavras.
No final, ela conseguiu falar com alguém e pegou notícias.
Minha amiga foi ficar comigo. O melhor apoio que eu poderia desejar.
Os dias foram passando e só recebia noticias pelos outros. Queria ouvir a voz dele. Ver que ele estava realmente bem, como diziam. E eu não acreditava.
Chorei quando minha mãe disse-me que ele havia falado com as pessoas. E rido, por conta da ambulância sem cinto. Ele foi transferido de hospital. E aumentou a demora para falar com ele.
Consegui ouvi-lo apenas na segunda. Não recebi um “boa sorte, love” no dia do vestibular. Mas ele me disse que não parou de pensar em mim.
Disse-me que ficou com medo de não me ver novamente. Disse-me que se eu precisasse de um coração, ele me dava o dele. E chorou. Chorou muito.
Liguei para falar com ele, novamente, e a enfermeira disse que ele estava andando no corredor. Falei com ele mais tarde.
Disse que o pessoal da UTI foi visita-lo. “Não vai me arranjar uma namorada no hospital, pai”. Rimos. Foi bom ouvir a risada dele.
Foi bom ouvi-lo.
Foi bom ouvir “eu te amo, filha”. E foi melhor ainda responder: “Também te amo, pai. Não me assusta mais assim, ok?”. “Vou tentar”.
Eu te amo, pai.
Não me assusta mais assim, ok?
Love,
Cah.
Domingo, Novembro 16, 2008
Pensamento Traduzido nº 75
Quem sou eu nº 02
Eu sou essa pessoa que vejo refletida no espelho.
Com cabelos ondulados, presos em um coque mal feito. Eu gosto assim, com uma mecha da franja caindo, em cima dos olhos.
Olhos, estes, que são adornados por uma olheira permanente. Profunda. Denuncia todas as minhas noites de insônia-pensativa.
Sou essa minha pele branca demais, para um país tropical. Sou minhas veias aparentes e minhas pintas, jogadas em meu corpo, por acaso, sem simetria alguma.
Sou minha boca, com os lábios inferiores ligeiramente maiores, com os cantinhos irregulares, forjando sempre um mínimo quase-sorriso.
Sou minha única covinha, do lado esquerdo. Covinha que aparece apenas quando rio sinceramente.
Sou minhas unhas, nem compridas, nem curtas demais. Unhas que eu descobri gostar. Unhas que compõe uma cena engraçada com a mão gordinha, que tenho.
Sou meus pés pequenos, para minha altura. Que insistem em virar, fazendo-me mancar por alguns dias.
Sou meu joelho estragado, pelo ballet. Sou meus dentes amarelados e frágeis, meus caninos pontudos demais e tortinhos.
Sou minha cicatriz. Que fica ali, embaixo do umbigo. Grande. Cicatriz que conta minha história de vida. Cicatriz que, sabe, desisti de tirar.
Sou meu nariz grande demais para meu rosto. Aprendi a conviver com ele. E, hoje, até acho legal. É diferente. Diferente da convenção estereotipada de beleza. Está longe de ser bonito, mas eu até que gosto.
Sou meus olhos castanhos. Com cílios que quase nunca ficam sem rímel.
Sou minhas bochechas gordinhas. Bochechas que sempre ficam vermelhas.
Sou minha voz, que sempre achei ser fina demais.
Sou minha auto-estima, que mais parece uma montanha-russa.
Sou minha letra de forma, minhas “caras e bocas”, minha timidez.
Eu sou essa pessoa, que refletida no espelho, se acha muitas coisas. Sou essa pessoa que deseja tanto e, ao mesmo tempo, nem sabe o que deseja.
Love,
Cah.
Segunda-feira, Novembro 03, 2008
Pensamento Traduzido º 74
Escrito em abril de 2007.
Ele tem que saber que pode me tirar para dançar, no meio da sala, quando estivermos a sós. Com música ou não.
Ele tem que saber que deve colocar a mão na minha cintura e puxar-me junto dele. Tem que saber, também, que deve segurar minha mão e conduzir-me, sem ficar bravo se eu pisar em seu pé.
Deve sussurrar palavras doces em meu ouvido, enquanto dançamos e não se importar se eu derramar algumas lágrimas. Certamente o farei.
Ele pode colocar Ella Fitzgerald para tocar, enquanto apreciamos o pôr-do-sol. Pode chegar, sentar-se ao meu lado e não proferir palavra alguma. Apenas admirar o espetáculo natural e curtir o silêncio, que não deve ser incomodo para nenhum de nós dois.
Quero que ele saiba que pode rir da minha cara. Pode brincar comigo, mas deixe-me retribuir.
Quero que não se incomode com minhas faces vermelhas, que aparecem em vários momentos de timidez. E se falar algo sobre, ficarei mais vermelha ainda.
Ele tem que saber que tenho meus momentos de loucura. E tem que saber que pode, deve, ficar louco comigo.
Tem que saber, e respeitar, que tenho um lado infantil dentro de mim. Que gosta de desenhos animados, doces e que, às vezes, à noite, eu abraço um urso para dormir.
Mas tem que ter certeza que eu trocaria qualquer urso por um abraço dele. E deve ficar feliz por isso.
Ele tem que saber me ouvir, assim como o ouvirei. Deve saber à hora certa de falar e, se não souber falar nada, apenas sorria e olhe.
Tem que saber que um abraço diz mais do que mil palavras e que um sorriso pode mudar o dia.
Ele tem que saber que eu sou românticazinha, que se derrete toda com qualquer música melosa, que tenha como foco uma história de amor.
Tem que saber deixar-me bilhetinhos escondidos. Quando eu achar, ganharei meu dia.
Ele deve saber que eu adoro ouvir jazz enquanto cozinho. Na verdade, deve saber que eu adoro ouvir jazz. E cantar jazz. E dançar jazz.
Ele tem que saber que vai ter que aturar minha voz ruim. Eu canto as músicas, junto com o cantor.
Ele deve saber que eu sou uma pessoa, assim como ele, e que eu também tenho sentimentos. Deve saber que pode confiar em mim, para tudo. E que eu estarei depositando a mesma confiança, nele.
Ele tem que saber respeitar os limites, a privacidade. Deve ser interessado em contar as coisas e ouvi-las.
Ele...
Ele tem que existir.
Love,
Cah.
Segunda-feira, Outubro 06, 2008
Pensamento Traduzido nº 73
Eu queria te contar que passei no vestibular. Queria falar que adorei a cor nova do meu cabelo e que eu emagreci mais um quilo.
Eu queria te dizer que não agüento mais o cursinho e que eu tenho dormido nas aulas, muito mais do que deveria. Você iria me dar uma bronca. Eu iria falar algo e riríamos depois.
Eu queria te dizer que tenho tido muitos pesadelos. Daqueles horríveis. Acordo sempre às 3 ou 4 horas e não consigo mais dormir.
Eu queria te mostrar algumas músicas novas. Sempre que ouço, acho que você iria gostar de ouvir. Sempre penso que você poderia ouvir no carro, indo trabalhar.
Eu queria te dizer que tenho fumado mais do que nunca. E outro dia tomei um porre de foder com qualquer um. Falei sozinha por um bom tempo. Falei coisas que só diria para você. Senti-me tão boba...
Eu queria te contar que terminei de ler Insônia, finalmente. E que eu não consigo escrever mais nada.
Queria te contar que estou de saco cheio daqui. Das pessoas.
Queria te contar que minha mãe tem brigado comigo. Mais do que sempre. E que ela e o marido dela estão estranhos comigo.
Queria te contar que minha TPM está foda. Quero comer chocolate e chorar.
Queria te contar que tenho ido deitar com os olhos vermelhos, quase todos os dias. Choro de medo. Estou morrendo de medo.
Queria te contar...
Love,
Cah.
Terça-feira, Setembro 30, 2008
Pensamento Traduzido nº 72
É engraçado, sabe...
Nenhum pôr-so-sol vai se comparar aquele.
O céu estava todo colorido, mas um colorido diferente. Cores fortes.
As nuvens faziam desenhos maravilhosos no céu.
O azul ia se misturando com o alaranjado do sol poente.
E durou tanto. Parece que demorou só para ser contemplado. Contemplado por olhos embaçados.
Olhos cheios de lágrimas e dor.
Jamie Cullum cantava no rádio, sussurava, de tão baixo que estava.
E eu não conseguia tirar os olhos daquela aurora.
Ninguém falou. O momento era santo demais para ser estragado com palavras.
E nem foi preciso. O silêncio já dizia tudo.
Love,
Cah.
Sexta-feira, Setembro 19, 2008
Pensamento Traduzido nº71
Pegou a tesoura na gaveta. Olhou para o espelho. As lágrimas, intercaladas com os soluços, dificultavam a vista, mas ela sabia como estava. Não precisava de nenhum espelho para mostrar-lhe.
Pegou uma mecha do seu comprido cabelo dourado. Passou a tesoura perto do rosto. E assim foi mecha por mecha. Até não sobrar nada.
O chão ficou coberto de tufos loiros, lisos. Cheirando a cigarro e vodka.
Ligou o chuveiro, sentou-se no box, vestida. Sentia cada pingo de água gelada invadir seu corpo. E cada lembrança, cada sentimento ia embora, para o ralo.
Fechou os olhos lentamente. E respirou. Como a muito não respirava.
Desligou o chuveiro e deitou na cama macia. Tremia de frio, mas não ligava. Só queria esquecer tudo. Deixar todo seu corpo vazio de qualquer sentimento que poderia existir dentro dela.
E assim, o fez.
Dormiu e não sabia como ia acordar. Só sabia que acordaria bem!
Love,
Cah.
Segunda-feira, Setembro 08, 2008
Pensamento Traduzido nº 70
I go back to black...
Vai ser difícil não receber mais ‘bom dia’, às 8:40 da manhã. Vai ser difícil não sentir o celular tocar e ir feliz ver uma sms, com frases lindas.
Vai ser difícil não poder mais olhar nos olhos, sentir o perfume, o toque. Vai ser difícil não poder abraçar. Não poder beijar. Não poder amar.
Não sei se consigo. Não sei se posso.
O coração, aqui, nem existe mais. As horas se arrastam e não passam nunca.
Revirando meus arquivos, encontro fotos. Recadinhos. Palavras. Memórias.
E dói. Dói lembrar de tudo e saber que não irá existir mais nada disso.
O sonho (tão real) acabou.
Love,
Cah.
Quinta-feira, Julho 31, 2008
Pensamento Traduzido nº 68
O primeiro...
A noite estava agradável. Um vento refrescante acariciava o corpo dos dois, ali presente.
Robbie Williams cantava alegremente, no telão. Pessoas conversavam, comiam, bebiam. Mas a única coisa que importava, naquela hora, era os dois.
Ela olhava nos olhos dele e ele, fazia o mesmo. Contavam histórias antigas, piadinhas, coisas que faziam os dois caírem na gargalhada.
“Meu pai me deva beijo de borboleta, quando eu era criança.” Ela disse. “Beijo de borboleta?” “Sim...”.
Ela aproximou, com cuidado, os olhos na face dele. E piscou. Ouviu a risada dele, aquela risada que ela tanto gostava de ouvir. “Que gracinha... Minha vez”.
Sentiu os olhos dele perto da face dela. Sentiu a respiração dele, o perfume dele. Sentiu o toque carinhoso que toda aquela cena proporcionava.
Ficou corada. Riu. Queria sentir mais, queria sentir o toque dos lábios dele, nos lábios dela.
Sentiu-o encostar a cabeça nos braços dela. Olhou com carinho para ele. Sentiu amor.
Queria beijá-lo inteiro. Abraçar e dizer o quão grande era aquele sentimento, que ela sentia.
Respirou fundo. Foi aproximando a boca da boca dele.
Sentiu a respiração dele, sentiu seu coração pular do peito. E o beijo aconteceu.
Robbie Williams tocava “Feel”. As pessoas continuavam a fazer tudo o que elas estavam fazendo antes.
Mas, naquela mesa, aquela, da varanda, duas pessoas se descobriam. Descobriam o gosto doce, uma da outra. Descobriam o toque macio do beijo, o aconchego do abraço.
Descobriam o amor, o companheirismo. Descobriam a saudade. E o futuro.
“I just want to feel real love
Feel the home that I live in
'Cause I got too much life
Running through my veins
Going to waste”.
“Beije meu relicário… Seu beijo ficará comigo, sempre.”
E ficou. Fica. Ficará.
Love,
Cah.